III Jornada Pedagógica – Reggio Emilia em Diálogo

Desde sua origem, Reggio Emilia está enraizada na vontade de construir um mundo melhor por meio da educação e segue sendo inspiração para muitos educadores. Reggio não traz uma proposição pronta e acabada, ao contrário, está em contínua mudança, repensando-se e reconstruindo-se constantemente, promovendo o diálogo, a escuta e a construção de interações de qualidade.

Assim, nesta III Jornada Pedagógica, temos a inspiração de Reggio não só na seleção dos temas, mas também na forma de estruturar o encontro,  baseando-o no diálogo e no conhecimento compartilhado.

Iniciamos a Jornada com uma conversa com LUCIANA OSTETTO, trazendo o necessário percurso do “cinzento ao multicolorido” nos espaços e na qualidade das interações em educação.

Prosseguimos com os diálogos entre JOSIANE PAREJA e KARINE RAMOS, indicando a indissociável     relação entre Documentação e Escuta.

A vivência com histórias, contos e danças com IVANI MAGALHÃES e GISLAINE CAITANO, acorda     nossos sentidos e reacende a beleza e potência da experiência vivida.

Em seguida diálogos envolvendo Projetação e Mapas Conceituais, com ANDRÉ PAPINEANU e ALICE PROENÇA.

Encerramos com uma síntese provisória, esperando que possa reverberar em novas interpretações e construções.

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CONVIVER PARA O BEM VIVER

Suzana Rodrigues Torres[1]

A arte de viver é simplesmente a arte de conviver… simplesmente, disse eu? Mas como é difícil! (Mario Quintana)

 

Que ninguém pode viver sozinho sabemos bem. Ouvimos repetidas vezes de que ninguém é uma ilha e construímos nossas histórias enredadas a outras histórias. Constituímos-nos como sujeitos na e pela relação com outros. Nos relacionarmos é uma fonte de crescimento e possibilidades.

Também sabemos o quão difícil é nos relacionarmos. Conviver é um aprendizado constante, um espaço que demanda negociações e ajustes, nem sempre fáceis, nem sem harmônicos, mas seguimos reiterando nossa dimensão social de sermos humanos. Não vivemos isolados, mesmo sozinhos temos o outro internalizado, coexistindo, convivendo com o no decurso de nossas vidas.

O envelhecimento, na medida em que as exigências profissionais e familiares foram, pelo menos em parte cumpridas, poderia ser um tempo para intensificar a vida, mas, numa sociedade que valoriza a produção e o consumo, a aposentadoria pode ocasionar uma diminuição dos contatos interpessoais e trazer a sensação de improdutividade e isolamento, especialmente pela vinculação feita entre identidade e carreira profissional.

O isolamento é considerado um dos aspectos que mais compromete o bem estar no envelhecimento, contradizendo a necessidade de convivência. Esta situação pode provocar angústia que aumenta a probabilidade de estados depressivos e regressivos e doenças.

Conviver se torna uma receita de saúde para o bem viver.

É no convívio social que as ideias novas nascem, que a motivação e as descobertas se potencializam e é na e pela relação com o outro que é possível redesenhar as representações sobre a velhice.

Há muitas maneiras de viver um envelhecimento mais saudável, mas todas, necessariamente, passam pela construção de vínculos, por convívios prazerosos e interações significativas.

O importante é manter-se ativo e voltado para o mundo externo, sentir prazer em acompanhar os interesses do mundo. Projetar-se no futuro, criar novas metas, rever as experiências do passado para poder se encaminhar com maior maturidade para o dia de amanhã. Viver bem a velhice é uma responsabilidade pessoal e está diretamente ligada ao desejo de viver.[2]

O Prisma – Centro de Estudos Santa Maria – propõe atividades em que as vivências interpessoais sejam enriquecidas, localiza-as em proposições desafiadoras, partilhadas e, consequentemente, ampliadas. Além dos cursos regulares há propostas de momentos de convivência marcados pela alegria, fruição estética, vivências culturais e educacionais, pelo desejo de provocar vidas que valham a pena ser vividas…

Fotos do II Fórum sobre envelhecimento com o tema: CONVIVER PARA O BEM VIVER

[1] Doutora em Psicologia da Educação é professora e pesquisadora no Ensino Superior e Coordenadora do Prisma, Centro de Estudos do Colégio Santa Maria.

[2] SANTOS, G. A., e VAZ, C. E. Grupos da terceira idade, interação e participação social. In ZANELLA, A. V., et al., org. Psicologia e práticas sociais [online]. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2008. pp. 333-346. ISBN: 978-85-99662-87-8. AvailablefromSciELO Books